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Eu tenho razão
Por Dario Lostado
Esgrimindo esta frase:
eu tenho razão, Desfazem-se os casamentos, Perdem-se os
amigos, Pais e filhos se afastam, Os povos vão à
guerra, As discussões se estendem e azedam, Destroem-se os
diálogos, Matam-se os homens.
Mas quem tem
razão? Razão é uma virtude que só é
possuída por quem acredita que não a tem. Porque, se acredita
no contrário, já não a tem. Pois ninguém tem toda
a razão. Todos têm, da razão, alguma coisa (contanto que
falem com mediana razoabilidade). Em caso de discussão,
ninguém tem toda a razão com exclusividade. Não é
possível a ninguém conhecer a verdade completa de todas as
coisas, sob todos os aspectos. Vale dizer, de coisa nenhuma. Somente o
Uno, Aquele que tudo conhece e que é a própria Verdade, tem
toda a Razão. E justamente Aquele que tem toda a razão
permite que nós também tenhamos a nossa pequena parte da
razão. O importante é respeitar a parte de razão
"do outro" – mas sem reticências, com
sinceridade. É preciso reconhecer que o outro pode perceber aspectos
que eu não vejo. Desde que coisas e problemas apresentam diversos
ângulos e que eu, a partir da minha perspectiva, não os posso
ver todos... Ninguém tem toda a razão. Mas todos nós
temos, normalmente, uma parcela de razão. Às vezes maior,
às vezes menor. Mas uma parcela. Quem concede e compreende a
razão do outro, aumenta o grau da sua
própria razão. Quem se fecha na sua única
razão, amesquinha essa razão. Limita-se. Tem menos
razão. Ao dialogar, é necessário ser
compreensivo. Diálogo compreensivo é o daqueles que tentam
compreender a posição contrária, não,
porém, a partir de sua própria perspectiva e, sim, a partir da
perspectiva contrária. As coisas, a partir da perspectiva do outro,
serão vistas de outro modo. Surgirá um ângulo que antes
não era visto. Os fanáticos de uma determinada ideologia
só enxergam uma única perspectiva, e se negam a ver outra,
diferente dessa. Quanto mais fanáticos são eles, mais se
obcecam na própria atitude e menos querem examinar outra,
diferente. Os fanáticos tanto mais se amesquinham quanto maior for o
seu fanatismo. Quanto mais cegos ficarem, menos razão
terão. Os fanatismos podem ser políticos, artísticos,
científicos, esportivos, filosóficos, religiosos,
nacionalistas, racistas, sociais... e pessoais. Fanatismo é um tipo de
cegueira espiritual. O único modo de crescer como pessoa e viver mais
intensamente é crescer em amplidão de consciência e
compreensão do mundo. Os fanáticos orgulham-se de viver com
etiquetas. E, na maioria dos casos, defendem-nas com atitudes cegamente
fanáticas. Aparentemente, o fanatismo é um dos modos de essas
pessoas apregoarem a insegurança que sentem. Elas precisam manter
teimosamente suas atitudes de teimosia e rejeição
às atitudes alheias porque interiormente reconhecem a pouca
consistência de suas idéias. Tornam-se pequenos ou grandes
cegos; pequenos ou grandes "sem razão". Você, a
exemplo do antigo filósofo, seja amigo de Catão, porém,
mais amigo da Verdade. A razão da imensa, da infinita verdade,
você a terá: ela será concedida a você na medida em
que reconhecer que não está com toda a
razão.
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